quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bife de imersão

Quem me conhece sabe que sou um rapaz que aprecia comer, sobretudo peixe, no entanto quando me apresentam um belo naco de carne, devidamente bem preparado, por vezes, fico com dúvidas em relação ao meu amor por peixe e sinto-me como o Marco Paulo, dividido entre os dois amores...
Se analisar suficientemente a questão, talvez possa concluir que amo o peixe e tenho paixão por carne, acho que me fiz entender...
O que pode justificar esta paixão está directamente relacionado com a qualidade da carne, regra que também aplico ao peixe, mas acabo por ter mais dificuldade em encontrar boa carne a bom preço, o que já não acontece com o peixe, que encontro no senhor Correia em Benfica.
Outro factor que poderá justificar a minha predileção poderá ser o facto de não comer todos os tipos de carne, mas comer (quase) todos os tipos de peixe, facto que confesso deixar-me descontente, pois num mundo ideal eu adoraria conseguir gostar e comer de tudo. Este texto começa a parecer um pouco obcessivo, comigo a confessar o meu prazer em comer, mas na verdade o meu cerebro tende a seguir sempre a mesma linha de pensamento, que é comer e beber, o que de certa forma faz de mim um ser humano um pouco básico, mantendo no topo das suas prioridades a alimentação... ahahaha!
Deixando os meus gostos pessoais de lado, a receita de hoje vive apenas de dois factores, a qualidade da carne e a sua boa preparação, que para mim terá que ser mal passada, pois é a única forma que consigo comer um bife.
Apesar de não ser muito comum preparar bife quando recebo pessoas, esta receita altera, de certa forma, os meus hábitos, pois acho que é a receita ideal para um jantar informal entre amigos, que não exige nenhuma preparação prévia (a carne não é temperada previamente) demora menos de 10 minutos a preparar e satisfaz crianças e adultos.
Em relação ao acompanhamento, depende da minha disposição e também de quem vem jantar, mas gosto de acompanhar com uma boa salada verde (alface, rúcula e agrião) e também batatas fritas (a minha última perdição são as duchesse, congeladas, para mal dos meus pecados).
O bife terão que pedir ao vosso talhante para partir um pedaço, com cerca de 2/3 cm de altura, de forma a que o centro fique cru a parte exterior cozida e mantenha a sua textura tenra, mas o que me seduz nesta receita é a forma como a carne é servida, em modo "petisco" de partilha entre amigos.

Ingredientes (para 2 pessoas)

400g de carne de vaca da parte da chã (ou outra que apreciem)
2 dentes de alho triturados
100ml de azeite
1 colher de sopa de folhas de tomilho fresco
Sal
1 colher de sopa de pimenta preta moída na altura

Começa-se por aquecer muito bem o grelhador, quando este estiver a "fumegar" estará pronto para usar.
Untamos os bifes com um pouco do azeite (nunca se deve colocar o azeite no grelhador, pois o que vamos conseguir fazer é queimá-lo antes de fritar a carne).
Num recipiente com cerca de 4cm de altura fazemos marinada onde colocaremos o naco de carne depois de grelhado. Para a marinada, colocamos o azeite, alho, tomilho, sal e pimenta, e agitamos para homogeneizar.
Grelhamos o naco dos dois lados e, quando estiver pronto, colocamos na marinada cerca de 1 minuto de cada lado. A ideia aqui é apenas conferir o tempero à carne que esteve a desidratar a parte exterior no grelhador que, uma vez em contacto com a marinada, vai absorver todos os sabores.
Com uma boa faca, corta-se o naco em fatias relativamente finas, 1/2cm por cada uma e colocam-se numa travessa rodeada de folhas de rúcula.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Salada de salmão e manga

Com a chegada do calor, tudo o que me apetece é comer refeições frescas, leves e simples de preparar, mas que mesmo assim sejam cheias de sabor.
A receita de hoje é uma receita que pensei há uns anos atrás para impressionar uma amiga (Catinga) pois testavamos a receita para um concurso no qual eu iria participar.
Recordo-me que a Cátia me acompanhou até ao local onde iria decorrer o concurso, super entusiasmada em me apoiar. Eu, embora estivesse confiante com a minha receita, não estava confiante na participação, uma vez que não sou fã de concursos e habitualmente este tipo de iniciativas não me seduz muito.
Quando chegamos ao local, depois de percebermos que se tratava de uma espécie de "reality show" com o temática cozinha, (com mediatismo a estourar em cada canto) fugimos a sete pés com a minha salada já "cheia de medo" dentro de um belo cesto que comprei para a ocasião. Voltamos para casa, sentamos à mesa, terminei de preparar a salada e com um olhar cumplice a Cátia disse: terias ganho a eliminatória, a salada está fantástica! Eu gostei do elogio, vinda especialmente da Cátia, no entanto, confesso que não gosto de protagonismo, muito menos de mediatismo.
Agora, depois da história, vamos à receita.

Ingredientes (para 4 pessoas)

2 lombos de salmão com 400/500g
Raspa de 1/2 limão
1 embalagem de agrião pronto a usar
1 manga (250g) madura partida em pedaços
Sal
1 colher de sopa de azeite
Pimenta branca moída na altura

Molho

2 colheres de sopa de geleia de marmelo
1 colher de sopa de mostarda Dijon
Sumo de meio limão (4 colheres de sopa)
50ml de azeite da melhor qualidade possível, usei Thyro
Sal
Pimenta branca moída na altura
2 colheres de sopa de endro picado

Num grelhador bem quente, grelham-se os lombos de salmão, já temperados com sal, pimenta, raspa de limão e azeite.
Pessoalmente gosto do salmão mal passado, mas esta parte ficará ao critério de cada um.
Numa taça, juntamos todos os ingredientes do molho e com uma vara de arames, agitamos até obtermos uma molho de textura cremosa. Reservamos.
Numa travessa larga, fazer uma "cama" com agrião e por cima desta a manga partida.
Acrescenta-se o salmão desfeito em lascas, disposto uniformemente por toda a travessa.
Finalmente, regamos a travessa com o molho preparado anteriormente e servimos de imediato.
Acompanha extremamente bem com um Thyro Branco, fresquinho...

domingo, 15 de junho de 2014

Mexilhões com tomatada de gengibre

Sou um fã mais que confesso de moluscos. Desde muito pequeno que me delicio com estes pequenos "pedaços de paraíso" pois eram comuns na mesa em casa dos meus pais. Invariavelmente quando se tratava de mexilhões a minha mãe preparava-os "à bulhão pato" acompanhados com palitos largos de batatas fritas, fatias de pão tostado e uma salada de alface francesa para terminar. Eu, a-d-o-r-a-v-a, como ainda adoro.
Depois de alguns anos a repetir religiosamente esta receita, decidi, dar largas à imaginação e testar umas quantas formas de enriquecer esta receita, sem fugir muito à ideia inicial, ou seja, fritar cebola, alho em azeite e deixar que os mexilhões larguem a sua água para deleite das nossas papilas gustativas. Sobre esta parte, recordo-me de um dia, a minha irmã mais velha, ligar à minha mãe, com uma questão pertinente " qual é a quantidade de água que devo acrescentar aos mexilhões para ficarem com todo aquele molho?". A minha mãe, recordo-me, ficou quase em estado de choque e respondeu "nada disso, não se acrescenta água aos mexilhões, eles largam a sua própria água, é isso que vai dar todo o gosto ao prato". Na minha opinião isto é a essência do prato, o resto são aromas que acrescentamos e questões mais ou menos técnicas que fazem deste prato uma refeição altamente simples, muito compensatória, e um deleite para receber amigos em casa.
No que diz respeito à sua preparação, apenas devemos cozinhar os mexilhões que se encontrem fechados, os que apresentarem casca aberta, não se devem cozinhar uma vez que poderão não estar em condições, em relação à questão dos meses com "R" e sem "R" não presto grande atenção uma vez que os mexihões que encontramaos hoje em dia são de aquacultura e portanto não existirá o risco de intoxicação.
Em relação a cuidados na preparação, ao contrário das ameijoas, não é necessário o tratamento prévio para eliminação de areias, é pouco comum que tenham muita areia, apenas esfrego bem as cascas de forma a eliminar lodos agarrados e retiro a "barba" que se encontra presa entre as duas conchas, basta puxar com a ajuda de uma faca. Finalmente passos os nosso bivalves por água corrente durante uns 5 minutos e estão prontos para cozinhar.

Ingredientes (como entrada para 4 pessoas - se for prato principal, aplico a formula N-1, ou seja, para quatro pessoas compro 3Kg de mexilhões)

1kg de mexilhão
1 cebola grande, descascada e partida em rodelas finas
5cm de gengibre
3 dentes de alhos triturados
3 tomates bem maduros partidos em cubos grandes
5cl de azeite
6 colheres de sopa de salsa picada grosseiramente
20cl de vinho branco de boa qualidade (neste ponto, aplico: "se não bebo mau vinho, também não vou comê-lo")
Sal
Pimenta branca moída na altura

Num tacho fundo colocar aquecer o azeite, acrescentar o alho e cebola e deixar fritar até que estejam transparentes.
Acrescenta-se o tomate e o gengibre (ralado com ou sem casca com a ajuda de um ralador), deixa-se cozinhar 10 minutos.
Quando o tomate começar a estar desfeito, mas não completamente, acrescentamos os mexilhões, sal e pimenta e deixamos cozer em lume médio até que as cascas abram, sempre com o testo bem tapado. Nesta altura, com o maior dos cuidados podemos agitar o tacho fechado, de forma a envolver os mexilhões com o molho.
Quando todos os mexilhões estiverem abertos, acrescentamos a salsa, vinho branco e deixamos cozer mais 5 minutos, para que o álcool no vinho possa evaporar.
Deve servir-se quente ou morno, com os acompanhamentos referidos no texto em cima.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pavlova de frutos vermelhos

Não é a primeira vez que partilho uma receita de pavlova aqui no blog, e não será certamente a última. Apesar de adorar pavlova de chocolate e nutella, não me consigo decidir quando ao meu pensamento vem também a pavlova de baunilha com frutos vermelhos.
Esta é uma receita simples e de certa forma económica, uma vez que poderá ser preparada com claras que tenham guardado no frigorífico, ou no congelador. Basta pesarem a quantidade pretendida para a receita, tendo em conta que a clara de cada ovo pesa cerca de 60g, (dependendo da tipologia de ovo que estamos a usar, S, M, L ou XL) e no máximo deverá pesar 75g no caso do XL.
Cá em casa é muito comum haver um frasco de claras no frigorifico que sobram de outras receitas onde apenas necessito de gemas, no entanto, por vezes, compro uma embalagem de claras no hipermercado, para além ser muito prático é também económico, uma embalagem com 10 claras deverá custar à volta de 1,20€.
Ainda sobre o destino das claras, de facto aconselho vivamente que se guardem no frigorifico num frasco, pois podem manter as suas caraterísticas muito tempo, e podem também ter os mais variados destinos: cocktails (para aumentar textura e visual), omeleta de claras, bolos de claras, etc.  
Em relação à preparação é em tudo prazerosa, a batedeira é que faz todo o trabalho e no final ainda posso usar o meu "brinquedo favorito" - vara de arames - para envolver os ingredientes finais. A única parte "técnica", por assim dizer, é a cozedura que envolve duas temperaturas, ou seja, pré-aquecemos o forno a uma temperatura elevada mas quando colocamos o merengue no forno reduzimos imediatamente. Isto faz com que tenhamos um exterior crocante e um interior húmido, denso e super suave.
Sem mais demora, senhoras e senhores, Pavlova de frutos vermelhos.

Ingredientes (para 8 pessoas)

Merengue

6 claras de ovo
200g de açúcar branco
1 colher de sopa de essência de baunilha
1 colher se sopa de farinha Maizena
1 colher de sopa de vinagre de cidra
1 folha de papel vegetal

Cobertura

1 embalagem de natas para bater
1 colher de sobremesa de essência de baunilha (facultativo)
2 colheres de sopa de açúcar branco granulado
1 embalagem de mistura de frutos vermelhos
1 quadrado de de chocolate para raspar

Pré-aquecer o forno a 180ªC.
Com as claras à temperatura ambiente (pois ganham mais volume) começa-se por batê-las até que comecem a formar picos brancos e leves, quase em castelo, mas ainda não tão firmes.
De seguida, acrescentamos o açúcar com a ajuda de uma colher de sopa, e vamos acrescentando colher a colher até obtermos um merengue acetinado e muito suave.
Agora passamos à parte de envolver e aqui (para os mais sépticos) envolver qualquer ingrediente em claras ou merengue é muito simples, mas é necessário que sejemos cuidadosos pois a ideia é não perder, ou minimizar a perca, do ar que estivemos a introduzir nas claras. Para envolver eficazmente, basta que com um salazar ou uma vara de arames, façamos ascendentes, do final da taça para o topo, sem nunca mexer, apenas envolver os ingredientes nas claras.
Neste caso, vamos envolver, a Maizena, essência de baunilha e o vinagre de cidra, de acordo com o que foi explicado anteriormente.

Num tabuleiro de forno, colocamos a folha de papel vegetal e colocamos o merengue que, com a ajuda de uma espátula, damos uma forma circular, com cerca de 22cm de diâmetro e uma altura de 5/6cm. Se acharem mais fácil desenhem um circulo com um lápis diretamente no papel vegetal e coloquem o merengue lá dentro.
Finalmente coloca-se no forno e imediatamente reduz-se a temperatura para 150ºC. Deixa-se cozer cerca de 1h/1h15 deixando o merengue arrefecer no forno.
Quando quisermos terminar e empratar, colocamos o merengue num prato largo, e começamos a bater as natas com o açúcar até que fiquem fimes, acrescentado ou não a essência de baunilha.
Verte-se as natas sobre o merengue, e sobre estas "despejamos" as frutas vermelhas.
Finalmente com a ajuda de um raspador, acrescentamos umas lascas de chocolate aleatoriamente sobre as frutas e as natas.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Laranjas picantes

A receita que partilho hoje saiu directamente de um livro de receitas que gosto particularmente. Primeiro porque foi um presente de um amigo com quem gosto de partilhar os prazeres da boa mesa e segundo porque de facto é um livro que penso ser um "obrigatório" na prateleira de alguém que aprecie gastronomia portuguesa, certo João Lopes?
Bom, o livro chama-se "Crónicas Comestíveis de António Manuel Monteiro" e trata-se de um livro onde pelo meio de algumas crónicas bem interessantes nos saltam receitas a condizer. Exemplo disto é a receita de "salada picante de laranja" à qual já dei vários destinos em momentos bem diferentes.
Na receita original, as laranjas são servidas com queijo e agriões, tornando-a uma receita mais completa, servindo assim como uma refeição ligeira.
Depois de uma segunda análise, pensei que poderia apenas usar uma parte da receita e usá-la como sobremesa, limpa palatos ou mesmo como acompanhamento de um bom bolo de chocolate...
Um factor muito importante é que as laranjas sejam realmente boas e sumarentas, o resto, espero que apreciem, e que usem e abusem da vossa imaginação para transformar ou não a receita de hoje!

Ingredientes (para 4 pessoas)

6 laranjas da melhor qualidade possível
2 colheres de sopa de vinagre branco
3 colheres de sopa de açúcar
Uma malagueta vermelha fresca, partida em pedacinhos bem pequenos

Descascar 4 das 6 laranjas.
Fatiar as laranjas e retirar as peles e caroços, e colocar num prato largo e fundo.
Usar a raspa das duas laranjas restantes juntamente com o sumo para fazer uma calda numa pequena caçarola.
Acrescentamos o açúcar, o vinagre e a malagueta (podem usar algumas sementes para um resultado mais picante).
Deixamos ferver dois minutos, desligamos e, quando tiver arrefecido um pouco, vertemos em cima das rodelas de laranja.
Deve deixar-se repousar umas horas, idealmente da noite para o dia, no entanto pode saborear-se logo de seguida.

Como referi anteriormente gosto de servir estas laranjas como limpa palatos a meio de uma refeição (neste caso meia laranja por pessoa é suficiente), em cima de um bolo de chocolate húmido, ou mesmo como sobremesa, sem qualquer acompanhamento.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Favas com salpicão

Para mim, esta é uma das receitas que assinala a chegada da Primavera, altura em que aparecem as primeiras favas frescas no mercado. É também uma receita que me faz recordar a minha infância pois era habitual calhar-me o "trabalho árduo" de descascar as favas às quartas-feiras, uma vez que era (e continua a ser) o dia de mercado em Fafe.
Como é óbvio, esta receita pode preparar-se igualmente com favas congeladas, no entanto sou da opinião que as favas frescas têm um sabor e textura bem diferentes das congeladas, não querendo isto dizer que não sejam de qualidade, são apenas diferentes.
Como refiro no inicio do texto, a Primavera é a altura em que começam a aparecer as primeiras favas e gosto particularmente, sempre que possível, de usar produtos da época pois além de serem mais baratos têm outro sabor.
Embora esta seja, na minha opinião, por excelência, a receita que melhor "destino" dá ás favas, existem variadas formas de as preparar, no arroz, sopa e até bolos salgados. O importante é que sejam de qualidade e realmente frescas, caso contrário poderão ser difíceis de cozer ficando com uma textura desagradavelmente dura.
Dependendo do destino que dá ás favas, poderá ser necessário retirar a pela exterior. Para esta receita, eu mantenho a pele mas, por exemplo, para fazer creme de favas, retiro a pele, para um creme mais aveludado.
Resumindo, as favas são uma leguminosa que nos premite dar largas à imaginação, ricas em proteínas e que nos permitem apreciar ainda melhor a Primavera.

Ingredientes (para 4 pessoas)

1kg de favas (já descascadas)
1 cebola média (200g) picada em cubos bem pequenos
3 tomates bem maduros partidos em cubos pequenos
50ml de azeite
1 salpicão de alta qualidade cortado em fatias
1 folha de louro
4 colheres de sopa de coentros picados
Sal
Pimenta branca moída na altura

Colocar a cebola e o azeite num tacho e deixar fritar até que a cebola comece a ganhar uma tonalidade dourada pálida, nesta altura colocar o tomate e o salpicão, deixar cozer um pouco até que o tomate comece a desfazer-se.
Nesta altura, acrescantamos o louro, sal, pimenta e as favas, reduzimos o lume a tapamos com o testo.
Deixamos as favas cozer até que estejam tenras, nesta altura acrescentamos os coentros e deixamos cozer não mais que dois ou três minutos.
Para os mais corajosos, uma vez que este prato já é substancial, aconselho um ovo escalfado para acompanhar.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Ceviche

Esta é a receita ideal para preparar nos dias de calor que se aproximam, uma receita simples, muito saborosa e fresca para acompanhar com uma garrafa de um vinho branco alentejano, tão aromático quanto aquele que aprecio enquanto escrevo esta receita.
Ceviche é um prato Peruano, que consiste em "cozer" peixe branco fresco em sumo de um citrino com o acréscimo de mais alguns ingredientes para um toque mais aromático e substancial, caso queiram servir como prato principal.
No meu caso, prefiro pensar em Ceviche como uma receita para servir como entrada, mesmo que tenha quase sempre que preparar a receita a dobrar porque se trata de algo viciante.
Sendo a receita mais popular e "porta estandarte" da gastronomia do Peru, ela surge nas mais variadas possibilidades. Pode-se usar sumo de limão e de laranja amarga mas o mais comum e popular é a lima, fruta que abunda em quantidade e qualidade.
Em relação ao peixe, este deve ser o mais fresco possível e com pouca gordura. Podem ainda ser feitas versões com camarão ou polvo, eu já testei a de polvo mas creio que ainda não encontrei uma receita certa.
Quanto à metodologia, o mais comum é que os pedaços de peixe tenham tamanhos maiores que aqueles que se podem ver na foto contudo, e tendo em conta o meu gosto pessoal, prefiro pedaços mais pequenos mas isto é apenas uma questão de gosto pessoal, como também a forma de servir, eu prefiro com tostas mas será mais próximo do original servir-se com batata doce ou abacate.
Creio que o que importa mesmo é testar esta iguaria e, como em relação a todas as receitas que partilho, prefiro pensar que cada pessoa irá fazer a sua própria versão/interpretação da receita sugerida, adequando melhor ao seu gosto pessoal porque afinal isso é o mais importante...

Ingredientes (como entrada para 4 pessoas)

Uma posta de peixe branco sem espinhas com sensivelmente 400g, partida em cubos de 1cm x 1cm (usei linguado)
Sumo de 4/5 limas mais raspa de uma
2/3 chalotas picadas em bocados bem pequenos
Uma malagueta fresca cortada em pedaços muito pequenos
6 colheres de sopa de coentros picados
Sal
Pimenta preta moída na altura.
Pimenta branca moída na altura
Uma colher de sopa de azeite da melhor qualidade possível (eu usei Thyro)

Numa taça colocar o peixe partido em cubos, juntamente com todos os outros ingredientes também picados em pedaços muito pequenos.
A ideia é que o sumo de lima cubra por completo todos os ingredientes e fiquem a repousar por cerca de 3 horas no frio.
Quando servirem, podem coar o molho que se cria e que os Peruanos chamam de "leite de tigre" devido ao facto de ter uma cor branca e tendo em conta que este saboroso liquido ajuda a curar as mais "bravas" ressacas. Eu gosto de servir com o "leite de tigre" pois confere uma textura mais húmida e ácida, mas mais uma vez esta parte deixo ao critério de cada um.
Na altura de servir, coloca-se numa taça, com ou sem coar, acompanhado de um cesto de tostas variadas.

domingo, 18 de maio de 2014

Espargos com molho Hollandaise

Hollandaise é um molho feito à base de manteiga e gema de ovo, temperada com sumo de limão e mais uma coisinhas que se pode comer com vegetais, sendo o (meu) favorito o espargo.
Os historiadores não se entendem em relação à origem do famoso molho, nem tão pouco à composição da receita original. França e Holanda são os dois países apontados como os possíveis criadores da primeira receita mas, na verdade, é em 1593 que surge a primeira receita escrita num livro de culinária Holandês.
Eu sempre achei que esta receita tinha origem em França, não sei muito bem porquê mas soa-me melhor, talvez porque todas as vezes que visitei a Holanda comi bastante mal, ficando por isso mal impressionado.
Apesar deste ser um clássico no que toca a molhos e ser, para mim, um dos melhores para misturar com legumes, não aparece nunca nas ementas dos nossos restaurantes, no entanto é bastante comum a sua presença quando abrimos um menu em Paris.
Numa próxima oportunidade partilharei uma receita de Béarnaise que é muito semelhante a Hollandaise mas com mais elementos para conferir outro sabor.
Para perceberem que tipo de molho é têm mesmo que o preparar mas, em jeito de critico de vinho, posso dizer que tem uma aparência amarelo brilhante (a manteiga faz tudo...) tem uma textura muito sedosa, cremosa, leve com sabor doce e salgado ligeiramente ácido devido ao sumo de limão, que aliás é essencial para cortar um pouco a gordura da manteiga. Aconselhável ser consumido morno e não quente por cima de um molho de espargos cozidos com sal.
Para os fanáticos por molhos, especialmente os de manteiga, aconselho precaução uma vez que a primeira vez que preparei esta receita, comi sozinho tudo de uma vez e não fiquei muito bem disposto. Quero com isto dizer que é um molho para partilhar...

Ingredientes

3 gemas de ovo (guardem as claras num frasco no frigorífico, aguentam meses)
1 colher de sopa de água
Sumo de 1 e 1/2 de limão natural
175g de manteiga
Sal
Pimenta preta ou cayenne moída na altura.
1 molho de espargos verdes cozidos

Não é preciso ter receio de preparar molhos onde a base é gema de ovo, como é exemplo este molho ou a maionese, basta seguirem os passos indicados e irão ver que o resultado é o esperado.
Numa caçarola colocamos a água, sumo de limão, sal e pimenta e deixamos ferver cerca de 5 minutos, com isto estamos a aromatizar e temperar esta redução.
Enquanto a nossa redução apura, batemos as gemas com um batedor de arames, até que estas ganhem alguma consistência, isto deve demorar cerca de 5 minutos.
Passados os 5 minutos retiramos a nossa redição do lume e deixamos arrefecer um pouco e mistura-se nas gemas.
Na mesma caçarola, levamos ao lume, muito baixo, até que as gemas comecem a cozer, aqui, colocamos e retiramos a caçarola de cima do lume sempre que necessário uma vez que as gemas não podem cozer nem atingir uma temperatura muito elevada. Nesta parte é necessário usar uma vara de arames e mexer bem o molho dentro da caçarola.
Retira-se do lume e aos poucos vamos acrescentando a manteiga em porções reduzidas aumentando de quantidade à medida que vai batendo com a vara de arames. A manteiga  poderá ser derretida ou à temperatura ambiente, eu prefiro usá-la à temperatura ambiente.
Prova-se e caso seja necessário retifica-se o sal e pimenta.
Finalmente, verte-se sobre um molho de espargos verdes cozidos em água a ferver por 4/5 minutos.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tarte de morangos com lemon curd e manjericão

Quando me dão limões, faço limonada, faço os mais variados cocktails, faço bolo de limão mas faço sobretudo Lemon Curd, para consumo próprio e para oferecer uma vez que quase nenhum dos meus amigos ou amigas preparam Lemon Curd em casa.
Na verdade, antes de ter investigado várias receitas, tinha em mente que seria algo mais complexo de preparar mas confesso que é uma receita muito, muito simples e altamente compensatória.
Quase sempre faço a receita a dobrar de modo a ter um frasco no frigorífico para comer uma colherada quando me dão apetites mais gulosos.
Quando preparado pode ser usado de imediato ou então pode guardar-se no frigorífico durante 3 semanas, mas nunca comprovei uma vez que o frasco fica vazio em meia dúzia de dias.
Pode usar-se Lemon Curd para rechear bolos, bolachas, cobrir bolos ou rechear tartes.
A receita desta tarte na sua totalidade é simples, apenas tem o apontamento do Lemon Curd ser caseiro o que dá uma outra dimensão à tarte, que em vez de ter o habitual creme de baunilha (que eu ADORO!!!!) tem um recheio mais leve e fresco.
Neste caso, decidi dar um toque extra e acrescentei umas folhas de manjericão fresco picado antes de colocar o Lemon Curd na tarte, mas é facultativo.

Ingredientes (Lemon Curd)

80g de manteiga
3 ovos inteiros
150ml de sumo de limão natural
Raspa de 1 limão

Derreter a manteiga no microondas ou num tacho.
Numa taça, bater os ovos com a raspa de limão e o açúcar. Não é necessário bater muito, apenas ligar.
Acrescenta-se a manteiga derretida e bate-se um pouco para homogeneizar.
Coloca-se num tacho anti-aderente e vai ao lume baixo até engrossar.
Para se usar nesta tarte, penso ser melhor colocar um pouco no frio até arrefecer completamente de forma a ser mais fácil espalhar sobre a massa folha mais tarde.

Ingredientes (para montar a tarte)

1 embalagem de massa folhada de compra (pode ser quadrada ou redonda)
1 embalagem de 500g de morangos
1 receita de Lemon Curd
1 colher de sopa de água
1 colher de sopa de doce de alperce
2 colheres de sopa de manjericão fresco triturado

Ligar o forno a 200ºC.
Estender a massa folhada e dobrar a toda a volta 1cm de massa, de forma a criar um relevo em redor da massa. Para ligar este rebordo, pisa-se com um garfo de modo a ligar bem. Com a ajuda de um garfo, pica-se a massa de forma que não faça efeito balão. Vai ao formo e caso faça balão, abram o forno e, sem medo, com uma espátula batam na massa para que esta baixe.
Fica no forno até estar bem tostada, quando estiver pronta retira-se do forno e deixa-se arrefecer.
Quando estiver fria, coloca-se o Lemon Curd em cima (caso usem manjericão devem acrescentar antes), espalhando sobre toda a tarte.
Partem-se os morangos em fatias e dispõem-se a gosto pela tarte.
Junta-se a água com a compota e agita-se de forma a dissolver bem.
Finalmente, com um pincel, espelhamos esta mistura sobre os morangos e as laterais de massa folhada de forma dar brilho à tarte e também para que os morangos não sequem tão facilmente.

domingo, 11 de maio de 2014

Entrecosto no forno


Esta receita é relativamente recente no meu caderninho de receitas, gosto de recorrer a ela quando há convidados a "impressionar", no entanto já foi diversas vezes preparada. Em primeiro lugar é de facto uma receita muito simples, praticamente se faz sozinha enquanto preparamos o resto do jantar, pomos a mesa e bebemos um cocktail com os convidados. O único trabalho que existe é temperar a carne, que aliás convém que seja com algumas horas de antecedência, ou melhor ainda, se vão preparar a receita ao jantar, temperem a carne depois do jantar do dia anterior. Não sei porquê mas existe, para mim, uma sensação de satisfação de fazer isto no dia anterior que é quase como se soubesse que se o fizer com esta antecedência nada pode correr mal, mas por vezes corre.
Esta parte da carne de porco é muito saborosa pois como tem mais gordura que o lombo, fica mais tenra e saborosa e apesar de ser um fã de lombo de porco, o entrecosto talvez fique uns pontinhos acima.
As especiarias com que temperei a carne conferem-lhe um sabor intenso, com um toque adocicado do anis e canela, no entanto, se forem especiarias que não apreciem podem ser facilmente substituídas por outras mais ao vosso agrado.
A mais complicada de encontrar, o cardamomo preto, com um aroma ímpar a madeira fumada, pode ser usada também para perfumar o arroz ou uma massa e pode ser encontrada no Martim Moniz, em qualquer supermercado de produtos asiáticos.
Ainda sobre a preparação da receita, quando tenho tempo prefiro que a carne esteja em forno baixo durante 2 horas, ou seja, 150ºC e depois aumento a temperatura para 200ºC até que esteja bem tostada. Caso seja um dia onde não estão com tempo, podem assar a carne do inicio a 200ºC.

Ingredientes (4 pessoas)

1 Kg de entrecosto de porco da melhor qualidade
1 pau de canela
1 estrela de anis
1 colher de sopa de mel
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
Raspa e sumo de 1 laranja
2 malaguetas vermelhas frescas picadas sem sementes (ou com se quiserem picante)
5 dentes e alho picados
3 cravinhos
2 bagas de cardamomo preto
100ml de azeite da melhor qualidade, usei Thyro
Sal e pimenta a gosto

Numa tigela grande misturar todos os ingredientes, exceptuando a carne. Agitar bem de forma a que tenhamos um molho homogêneo.
Com as mãos, não há que ter medo, esfregar bem este molho na carne e deixar repousar de um dia para o outro ou algumas horas de forma a que a carne possa absorver todos os sabores.
Colocar a carne num tabuleiro, de preferência forrado com papel vegetal para não ser necessário esfregá-lo no final.
Colocar no forno pré-aquecido a 150ºC durante 2 horas seguido de mais 1 hora a 200ºC, altura em que a carne deve estar bem tostada.